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R$ 24,3 bilhões em doações: o que a Pesquisa Doação Brasil revela

A Pesquisa Doação Brasil 2024 mostra R$ 24,3 bi doados por pessoas físicas. Veja quanto os brasileiros doam e o que isso muda na captação da sua OSC.

04 de maio de 20266 min de leitura

Quando o assunto é captação de recursos, é fácil cair na conversa de sempre: editais, leis de incentivo, projeto aprovado em órgão público. Mas existe um Brasil de doadores que quase nunca entra nesse cálculo — e ele é enorme. A Pesquisa Doação Brasil 2024 mediu o tamanho desse país: pessoas físicas doaram R$ 24,3 bilhões ao longo de 2024. É mais do que muita OSC imagina, e provavelmente mais do que a sua estratégia de captação está aproveitando.

Esse número não vem de uma estimativa solta. A Pesquisa Doação Brasil é o estudo de referência sobre doação individual no Brasil, conduzido pelo IDIS — Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social em parceria com o instituto de pesquisa Ipsos. Neste texto você vai entender o que esse R$ 24,3 bilhões representa, por que ele cresceu tanto, como ele se diferencia de outros números que circulam no setor — e, principalmente, o que tudo isso significa para a captação da sua organização.

Quanto os brasileiros doam: o número que muda a conversa

Em 2024, as doações individuais somaram R$ 24,3 bilhões no Brasil, segundo a Pesquisa Doação Brasil 2024 (IDIS/Ipsos). Para dar dimensão ao salto: em 2022, esse volume era de R$ 14,8 bilhões (já corrigidos para comparação) — ou seja, um crescimento de +64% em apenas dois anos.

Um ponto importante para você não superdimensionar o dado na hora de planejar: esse valor exclui dízimos e esmolas. A pesquisa mede doações a organizações e causas sociais, não a contribuição religiosa regular nem a esmola direta. É um recorte mais conservador — e, ainda assim, são R$ 24,3 bilhões em jogo.

Outro dado da mesma pesquisa redimensiona quem é o doador brasileiro: 78% dos brasileiros com 18 anos ou mais (considerando renda familiar acima de um salário mínimo) doaram em 2024. Doar, no Brasil, não é exceção — é maioria. A pergunta para a sua OSC deixa de ser "será que as pessoas doam?" e passa a ser "elas estão doando para a minha causa, ou para a do vizinho?".

Por que o Pix está no centro dessa história

Boa parte desse crescimento tem um sobrenome: Pix. Entre os doadores que dão a organizações, o Pix é o meio digital dominante — usado por 66% dos doadores institucionais, segundo a mesma pesquisa.

Faz sentido. O Pix derrubou a fricção da doação: não há boleto para imprimir, não há cartão para digitar, não há taxa que corrói o valor. Quem decide doar consegue fazê-lo em segundos, no celular, no impulso do momento da campanha. Para a captação, isso significa que a barreira técnica praticamente desapareceu — o gargalo agora é de engajamento e de recorrência, não de meio de pagamento.

E é aqui que entra a fronteira seguinte. Doação por Pix tende a ser pontual: a pessoa doa uma vez e some. Transformar esse doador de uma vez em doador recorrente é o que sustenta o orçamento da OSC ao longo do ano. Foi justamente para resolver isso que surgiu o Pix Automático e sua mecânica de doação recorrente — o débito programado que dispensa o doador de refazer a doação todo mês.

O que esses dados dizem para a captação da sua OSC

Números grandes só valem quando viram decisão. Veja o que a Pesquisa Doação Brasil 2024 sugere, na prática, para quem capta:

  • A base de doadores individuais é grande e está crescendo. Com 78% dos brasileiros doando e R$ 24,3 bilhões em circulação, a doação de pessoa física não é um detalhe da captação — é um pilar potencial. Uma OSC que só olha para editais e leis de incentivo está ignorando o maior contingente de doadores do país.
  • A doação individual não depende das leis de incentivo. O doador comum não doa para abater no imposto de renda — ele doa por causa, por confiança, por vínculo. Esse público é acessível para qualquer OSC, inclusive as que não têm projeto aprovado em nenhum programa incentivado. (Para entender quando o incentivo fiscal pesa e quando não pesa, vale ler o guia de incentivos fiscais para captação de recursos.)
  • Diversificar é proteção. Quem depende só de editais e incentivos fica refém de vigências legais e de decisões de Brasília. A doação individual é uma fonte mais estável e sob seu controle direto — e ela complementa, não substitui, as demais frentes de captação.

É exatamente nesse ponto que a gestão da captação aperta. Acompanhar campanhas, conciliar entradas de Pix, identificar quem doou, separar o que é doação livre do que é recurso carimbado por uma parceria ou projeto incentivado — tudo isso vira uma planilha que ninguém dá conta de manter. Para a parte de recursos carimbados por parcerias com o poder público, um sistema de gestão como o Gestor de Convênios ajuda: centraliza num painel único o status e os prazos de prestação de contas de cada convênio e alerta sobre conformidade com a Lei 13.019/2014 — a conciliação das doações em si, porém, fica fora do seu escopo.

Doação individual não é Investimento Social Privado: o contraste que confunde

Aqui vale desfazer uma confusão comum. Esses R$ 24,3 bilhões da Pesquisa Doação Brasil são doação de pessoa física — gente comum doando do próprio bolso. Não confunda com o Investimento Social Privado (ISP), que é o repasse voluntário e planejado de recursos privados (de empresas, institutos e fundações) para fins públicos.

São universos diferentes, com tamanhos diferentes. O ISP movimentou R$ 5,8 bilhões em 2024, segundo o Censo GIFE 2024-2025. Repare na diferença de escala: a doação de pessoas físicas (R$ 24,3 bi) é mais de quatro vezes maior que o ISP medido pela rede GIFE (R$ 5,8 bi).

Uma ressalva honesta sobre esse R$ 5,8 bilhões: ele mede o investimento social das organizações da rede GIFE, não a filantropia corporativa de todo o país — é uma fotografia de uma rede específica, não o total nacional. Ainda assim, o contraste é instrutivo: enquanto o ISP corporativo se concentra em grandes investidores sociais, a doação individual é pulverizada entre milhões de pessoas. Para a maioria das OSCs, a porta da doação individual é muito mais acessível do que a do grande financiador. Se quiser entender melhor o outro lado dessa moeda, veja como o dinheiro do Investimento Social Privado chega às OSCs.

Perguntas frequentes sobre a Pesquisa Doação Brasil

Quanto os brasileiros doaram em 2024?

Pessoas físicas doaram R$ 24,3 bilhões em 2024, segundo a Pesquisa Doação Brasil 2024 (IDIS/Ipsos). É um crescimento de 64% em relação a 2022, quando o volume foi de R$ 14,8 bilhões (corrigidos). O número exclui dízimos e esmolas, medindo doações a organizações e causas sociais.

O que é a Pesquisa Doação Brasil?

É o estudo de referência sobre doação individual no Brasil, conduzido pelo IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) em parceria com o instituto Ipsos. Ela mede quanto e como as pessoas físicas doam — volume total, percentual de doadores e meios de pagamento usados.

Quantos brasileiros doam?

Segundo a Pesquisa Doação Brasil 2024, 78% dos brasileiros com 18 anos ou mais (com renda familiar acima de um salário mínimo) doaram em 2024. Ou seja, doar é a regra, não a exceção — a maioria da população adulta de renda mínima destina algum recurso a causas e organizações.

Qual é o meio de pagamento mais usado para doações?

O Pix é o meio digital dominante: foi usado por 66% dos doadores institucionais, conforme a Pesquisa Doação Brasil 2024. A baixa fricção do Pix facilita a doação por impulso, e o Pix Automático abre caminho para transformar essa doação pontual em recorrente.

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