O que é o Plano de Trabalho de um convênio e como preencher corretamente

Guia completo sobre o Plano de Trabalho de convênios federais: o que deve conter, como preencher cada seção no TransfereGov e os erros mais comuns que causam reprovação.

09 de abril de 20259 min de leitura

O Plano de Trabalho é o documento mais importante de um convênio federal. É a partir dele que o órgão concedente avalia se a proposta será aprovada ou devolvida — e erros nessa etapa são a principal causa de atrasos na captação de recursos.

Este guia explica o que deve conter um Plano de Trabalho bem estruturado, como preenchê-lo no TransfereGov e quais são os erros que mais causam reprovação.

O que é o Plano de Trabalho?

O Plano de Trabalho (PT) é o documento que formaliza o que será feito com os recursos do convênio. Ele descreve o objeto, justifica a necessidade, define as metas, estipula o cronograma e detalha como o dinheiro será gasto.

É regulamentado pelo Decreto nº 6.170/2007 e pela Portaria Interministerial nº 127/2008, que estabelecem os elementos obrigatórios para convênios com a União.

Sem um Plano de Trabalho aprovado, o convênio não pode ser celebrado — e, portanto, nenhum recurso é liberado.

Estrutura do Plano de Trabalho

1. Identificação do Proponente

Dados básicos do convenente:

  • Razão social e CNPJ
  • Endereço completo
  • Nome e CPF do responsável legal
  • Dados bancários da conta específica do convênio

A conta bancária deve ser exclusiva para o convênio — não pode ser a conta corrente geral do município ou entidade.

2. Objeto

O objeto é a descrição precisa do que será executado com os recursos. Deve ser:

  • Específico: evite descrições genéricas como "melhorias na saúde pública"
  • Mensurável: indique quantidades, extensões, capacidades
  • Vinculado ao programa: alinhado aos objetivos do programa do concedente

Exemplo ruim: "Aquisição de equipamentos para a secretaria de saúde"

Exemplo bom: "Aquisição de 3 ambulâncias de suporte básico de vida (SBV) para atendimento pré-hospitalar no município de X/UF, conforme especificações técnicas do Ministério da Saúde"

3. Justificativa

A justificativa deve demonstrar a necessidade concreta do objeto. Elementos essenciais:

  • Diagnóstico da situação atual: dados quantitativos que comprovem o problema
  • Impacto esperado: o que vai melhorar após a execução
  • Relação com políticas públicas: como o objeto se alinha ao plano municipal e às diretrizes do programa

Evite justificativas genéricas. Use dados do IBGE, DATASUS, INEP ou outros sistemas oficiais.

4. Metas e Etapas

As metas descrevem o que será entregue. As etapas descrevem como e quando será feito. Cada meta deve ter:

  • Descrição clara do produto ou resultado
  • Indicador de verificação (como saber se a meta foi cumprida)
  • Valor financeiro alocado
  • Prazo de execução

Exemplo de meta bem estruturada:

Campo Conteúdo
Descrição Aquisição de ambulâncias SBV
Quantidade 3 unidades
Indicador Empenho, notas fiscais e CRLV emitidos
Valor R$ 450.000,00
Prazo 6 meses após liberação da 1ª parcela

5. Plano de Aplicação (Cronograma Financeiro)

O Plano de Aplicação discrimina como os recursos serão gastos por rubrica orçamentária (elemento de despesa). As rubricas mais comuns em convênios são:

Código Descrição
3.3.90.30 Material de Consumo
3.3.90.36 Serviços de Terceiros – Pessoa Física
3.3.90.39 Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica
4.4.90.51 Obras e Instalações
4.4.90.52 Equipamentos e Material Permanente

Atenção: O remanejamento de valores entre rubricas durante a execução exige aprovação prévia do concedente. Planeje com cuidado desde o início.

6. Cronograma de Desembolso

Define em quais meses e em quais valores os recursos serão liberados pelo concedente. Deve ser compatível com o cronograma físico das etapas.

7. Contrapartida

A contrapartida é a participação financeira obrigatória do convenente. Os percentuais mínimos são definidos pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) vigente e variam conforme o porte do município e o tipo de programa.

Em geral:

  • Municípios com até 50 mil habitantes: 2% a 10%
  • Municípios maiores: 20% ou mais

A contrapartida pode ser financeira (dinheiro) ou bens e serviços, desde que aceita pelo concedente e devidamente comprovada.

Como preencher o Plano de Trabalho no TransfereGov

  1. Acesse o TransfereGov e localize o programa desejado
  2. Clique em "Nova Proposta"
  3. Preencha os dados de identificação e selecione o concedente
  4. Na aba "Plano de Trabalho", preencha cada seção na ordem indicada
  5. Cadastre as metas e vincule as etapas a cada uma
  6. Insira o Plano de Aplicação com os valores por rubrica
  7. Defina o cronograma de desembolso
  8. Anexe os documentos complementares exigidos pelo programa
  9. Revise tudo e clique em "Enviar para Análise"

O sistema faz algumas validações automáticas, mas não impede o envio de propostas com inconsistências não críticas. Por isso, a revisão manual antes do envio é essencial.

Erros mais comuns que causam reprovação

Objeto vago ou incompatível com o programa

O objeto não corresponde ao escopo do programa do concedente. Leia atentamente o edital ou chamamento público antes de redigir.

Metas sem indicadores verificáveis

Metas que não têm como ser comprovadas objetivamente são questionadas na análise técnica.

Valores subdimensionados ou superdimensionados

Orçamentos muito abaixo do mercado levantam suspeitas; valores acima do praticado são cortados. Use cotações reais e documentadas.

Contrapartida insuficiente ou não prevista

Esquecer de incluir a contrapartida ou incluir valor abaixo do mínimo exigido é um dos erros mais frequentes.

Cronograma físico-financeiro incompatível

Prever desembolso de 100% dos recursos no primeiro mês sem etapas correspondentes gera inconsistência.

Documentação incompleta

Cada programa tem uma lista de documentos obrigatórios. A ausência de qualquer um deles resulta em devolução para complementação.

Checklist antes de enviar o Plano de Trabalho

  • Objeto específico, mensurável e alinhado ao programa
  • Justificativa com dados quantitativos
  • Metas com indicadores claros e valores corretos
  • Plano de Aplicação com rubricas adequadas ao objeto
  • Contrapartida calculada corretamente
  • Cronograma físico e financeiro compatíveis entre si
  • Documentação completa conforme exigência do programa
  • Dados bancários da conta específica informados
  • Responsável legal com poderes de assinatura habilitado no sistema

Conclusão

Um Plano de Trabalho bem elaborado acelera a aprovação do convênio e reduz o risco de problemas na execução e na prestação de contas. Investir tempo na fase de planejamento é sempre mais eficiente do que corrigir inconsistências durante a execução.

Se o seu município gerencia múltiplos convênios simultaneamente, contar com um sistema especializado facilita o acompanhamento de cada etapa — desde a proposta até a prestação de contas final.

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